Quarta-feira, Agosto 25, 2010

Friedrich Nietzsche (1844-1900)

     Num dia como o de hoje (25 de agosto) do ano de 1900, isto é, há 110 anos, morria Friedrich Nietzsche, um dos maiores e controversos filósofos do século XIX.

      Crítico da cultura ocidental, das suas religiões e, consequentemente, da moral judaico-cristã, Nietzsche é, juntamente com Marx e Freud, um dos autores mais controversos na história da filosofia moderna.

      Nietzsche considera o Cristianismo e o Budismo como “as duas religiões da decadência”, embora afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche “é cem vezes mais realista que o cristianismo”.

      Até cerca de onze anos antes da sua morte, Nietzsche não cessa de escrever a um ritmo sempre crescente, terminando de forma abrupta em Janeiro de 1889 com uma “crise de loucura” com a qual passou, inicialmente, a considerar-se, alternativamente, figuras míticas: Dionísio e Cristo, expressando-se em bizarras cartas, afundando-se depois num silêncio quase total até à sua morte.

       Após a sua morte, a sua irmã Elizabeth falseou alguns escritos com o propósito de apoiar a causa anti-semita e o nacional socialismo (Nazismo) de Hitler, aproveitando-se este de alguns aspetos e interpretações para a sua ideologia e propaganda nazi, colagem esta que fez com que o cidadão comum viesse a considerar Nietzsche como mais um nazi, rejeitando os seus escritos sem sequer os ponderar. A irmã veio a ser bem tratada pelo regime fascista, morrendo confortavelmente.

      Friedrich Nietzsche quis ser o grande “desmascarador” de todos os preconceitos e ilusões do género humano, aquele que ousa olhar, sem temor, aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceites; por trás das grandes e pequenas verdades melhor assentadas, por trás dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos, designadamente, a moral tradicional, a religião e a política não são para ele nada mais que máscaras que escondem uma realidade inquietante e ameaçadora, cuja visão é difícil de suportar.

      Nietzsche golpeou violentamente essa moral que impede a revolta dos indivíduos inferiores, das classes subalternas e escravas contra a classe superior e aristocrática que, por um lado, pelo influxo dessa mesma moral, sofre de má consciência e cria a ilusão de que mandar é por si mesmo uma forma de obediência. Essa traição ao “mundo da vida” é a moral que reduz a uma ilusão a realidade humana e tende asceticamente a uma fictícia racionalidade pura.

      Com efeito, Nietzsche procurou arrancar e rasgar as mais idolatradas máscaras.

      A vida só se pode conservar e manter-se através de imbricações incessantes entre os seres vivos, através da luta entre vencidos que gostariam de sair vencedores e vencedores que podem a cada instante ser vencidos e por vezes já se consideram como tais. Neste sentido a vida é vontade de poder ou de domínio ou de potência, vontade essa que não conhece pausas, e por isso está sempre criando novas máscaras para se esconder do apelo constante e sempre renovado da vida; pois, para Nietzsche, a vida é tudo e tudo se esvai diante da vida humana. Porém as máscaras, segundo ele, tornam a vida mais suportável, ao mesmo tempo em que a deformam, mortificando-a à base de cicuta e, finalmente, ameaçam destruí-la.

      Não existe via média, segundo Nietzsche, entre aceitação da vida e renúncia. Para salvá-la, é mister arrancar-lhe as máscaras e reconhecê-la tal como é: não para sofrê-la ou aceitá-la com resignação, mas para restituir-lhe o seu ritmo exaltante, o seu merismático júbilo.

      Na sua obra “O Anticristo” afirmava:

      «O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, baixo, incapaz, e transformou em um ideal a oposição aos instintos de conservação da vida saudável; e até corrompeu a faculdade daquelas naturezas intelectualmente poderosas, ensinando que os valores superiores do intelecto não passam de pecados, desvios ‘tentações’. O mais lamentável exemplo: a concepção de Pascal, que julgava estar a sua razão corrompida pelo pecado original; estava corrompida sim, mas apenas pelo seu cristianismo!»

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Domingo, Maio 2, 2010

Conhecer

      «O sábio não se aflige por não ser conhecido dos homens; ele aflige-se por não conhecê-los.»

      Confúcio (poeta chinês), nome latinizado de Kung-Fu-Tse.

      Nasceu em 551 a.C. e morreu em 479 a.C.

      A sua doutrina teve uma forte influência não só na China mas também sobre toda a Ásia Oriental.

      São inúmeras as suas citações, como a que segue:

      «Se tiveres uma laranja e a trocares com outra pessoa que também tem uma laranja, cada um fica com uma laranja, mas se tiveres uma ideia e a trocares com outra pessoa que também tenha uma ideia, então cada um ficará com duas.»

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Sábado, Fevereiro 13, 2010

Galileu e a Inquisição


Num dia como o de hoje (13 de Fevereiro) mas do já antigo e longínquo ano de 1633 (há 377 anos) Galileu era detido pela Inquisição (espécie de polícia e tribunal da Igreja Católica) devido aos seus estudos e conclusões científicas, designadamente sobre o heliocentrismo.

Galileu Galilei (Galileo Galilei em italiano) (1564-1642) foi um físico, matemático, astrónomo e filósofo italiano que teve um papel preponderante na chamada Revolução Científica.

Desenvolveu os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo. Descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da inércia e o conceito do referencial inercial, ideias precursoras da mecânica newtoniana.

Melhorou significativamente o telescópio refrator e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e as estrelas da Via Láctea.

Estas descobertas contribuíram decisivamente na defesa do heliocentrismo.

Galileu desenvolveu ainda vários instrumentos e propôs uma nova metodologia científica, introduzindo um método científico que constituiu um corte com o método aristotélico e é, por este motivo, considerado como o “pai da ciência moderna”.

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As publicações dos seus estudos e conclusões teóricas cedo lhe valeram reconhecimento mas também muita polémica.

A Inquisição pronunciara-se já em 1919 sobre a sua Teoria Heliocêntrica, declarando que a afirmação de que o Sol é o centro imóvel do Universo, movendo-se a Terra em seu torno, estava “teologicamente” errada, proibindo assim que se falasse da teoria contrária que até então se considerava, o Geocentrismo, isto é, que a Terra estava parada no centro do Universo e que todos os outros corpos celestes orbitavam em círculos concêntricos ao seu redor.

Mantendo Galileu a sua ideia, foi julgado e condenado, proibindo-se os seus livros. A condenação obrigava-o a retratar-se publicamente sobre as suas teorias, afirmando que se enganara, e condenava-o ainda a prisão por tempo indefinido.

No decorrer dos séculos, a Igreja Católica foi revendo a sua posição relativamente a Galileu, tendo iniciando em 1992, isto é, mais de 3 séculos após a sua condenação, um processo de revisão dessa condenação.

O processo de revisão foi demorado e durou 7 anos!

Em 1999 a Igreja Católica decidiu absolver Galileu da heresia cometida há mais de 3 séculos.

Não, não te rias, porque isto é mesmo muito sério.

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Domingo, Janeiro 17, 2010

Até Todos Serem


«Ninguém pode ser perfeitamente livre até todos serem livres; ninguém pode ser perfeitamente moral até todos serem morais; ninguém pode ser perfeitamente feliz até todos serem felizes.»

Herbert Spencer
Filósofo inglês (1820-1903)

herbertspencer

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Segunda-feira, Janeiro 4, 2010

A. Camus = 50 A.

Foi num dia assim, como o de hoje, corria o ano de 1960 (há 50 anos) que morria, aos 46 anos, num acidente de viação, Albert Camus (1913-1960).

Nasceu na Argélia, filho de um francês e de uma descendente espanhola.
Foi-lhe concedido o Prémio Nobel de Literatura em 1957.

É apontado como um dos mais importantes mentores da escola do Absurdismo ou da Filosofia do Absurdo (relacionada com o Existencialismo) na qual, em síntese, se estabelece que os esforços realizados pelos seres humanos para encontrar o significado do Universo fracassarão por não existir tal significado.

Aderiu em jovem ao Partido Comunista, tendo sido expulso passados 2 anos, por desentendimentos relativamente à questão da independência da Argélia da França, começando a sua aproximação aos movimentos libertários, tendo passado a escrever em diversas publicações anarquistas e, por fim, tendo criado a sua própria revista anarquista, em 1959 (após o Prémio Nobel e 1 ano antes do acidente que lhe causaria a morte), chamada: “Liberté”.

Disse: «L’histoire d’aujord’hui nous force à dire que la révolte est l’une des dimensions essentielles de l’homme» (“A história dos nossos dias obriga-nos a considerar que a revolta é uma das dimensões essenciais do Homem”).

albertcamus

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Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

A Vontade


«Tudo vence uma vontade obstinada, todos os obstáculos abate o homem que integrou na sua vida o fim a atingir e que está disposto a todos os sacrifícios para cumprir a missão que a si próprio se impôs.

Atento ao mundo exterior, para que não falte nenhuma oportunidade de pôr em prática o pensamento que o anima, não deixa que ele o distraia da tensão interna que lhe há-de dar a vitória; tem os dotes do político e os dotes do artista, quer modelar o mundo segundo o esquema que ideou.

Não se trata, claro, de um triunfo pessoal; em história da cultura não há triunfos pessoais; ou a vontade é pura e generosa, nitidamente orientada ao bem geral, ou mais cedo, mais tarde, se há-de quebrar contra vontades de progresso mais fortes que ela.

Que o querer tenha sua origem e seu apoio em coração aberto à nobreza, à beleza e à justiça; de outro modo é apenas gume fino e duro de faca; por isso mesmo frágil, na sua aparente penetração e resistência.

Vontade inteligente, e não manhosa, altruísta, e não virada ao sujeito, pedagógica, e não sedenta de domínio; a esta pertencem os séculos por vir: é a voz a que surgem; a outra estabelece os muros que ainda tentam defender o passado.»

Agostinho da Silva – in “Considerações”
Filósofo/Poeta/Ensaísta (1906-1996)

Português (porque cá nasceu e morreu) e também Brasileiro (porque lá viveu e deixou obra)

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Quarta-feira, Novembro 4, 2009

Lévi-Strauss Morreu

    Morreu ontem o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (com 100 anos de idade), fundador da antropologia estruturalista e um dos grandes intelectuais do século XX.
    Em 1967, aos 59 anos, disse:
    “O antropólogo é o astrónomo das ciências sociais, ele está encarregado de descobrir um sentido para as configurações, muito diferentes das que estão imediatamente próximas do observador”.
    Em 2005, aos 97 anos, disse:
    “O meu único desejo é um pouco mais de respeito para o Mundo que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele e isso é algo que sempre deveríamos ter presente”.
    levi-strauss
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