Sábado, Setembro 4, 2010

Península Ibérica Mais Quente

      Na Península Ibérica, os dias estão a ficar mais quentes do que no resto do Mundo.

      A conclusão é de um estudo da Universidade de Salamanca (Espanha) publicado na revista «Climatic Change».

      Devido ao impacto que as temperaturas têm na agricultura e na saúde, os investigadores da universidade espanhola analisaram as variáveis mais representativas destes extremos térmicos desde 1950 a 2006.

       Os resultados revelaram que se registou um aumento dos dias quentes maior do que no resto do mundo, isto é, que o crescimento de dias quentes na Península Ibérica é superior ao obtido globalmente para todo o planeta.

      Também foi detectada uma diminuição das noites frias, tendência que acompanhou a descida global.

      Até agora, a maioria dos investigadores tinha analisado as alterações da temperatura média à escala global. Estes resultados indicavam que o aumento das temperaturas se deve “mais provavelmente” a factores antropogénicos.

      Esta nova investigação permitiu analisar, do ponto de vista físico, as causas das variações dos extremos climáticos, ou seja, verificar “que alterações se estão a produzir nas massas de ar que chegam à Península Ibérica, bem como na temperatura do mar”, segundo explicou Concépcion Rodríguez, autora principal do trabalho e investigadora do Departamento de Física Geral e Atmosfera da Universidade de Salamanca.

      O tempo que traz a massa de ar desde o Norte de África é a principal causa do aumento de dias quentes.

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Quinta-feira, Setembro 2, 2010

Chuva de Células Extraterrestres

      Em 2001 e durante cerca de 2 meses, os habitantes de uma povoação situada no sul da Índia (Kerala) habituaram-se à chuva de cor vermelha da sua cidade.

      Um físico da Universidade de Cochin (Godfrey Louis), interessou-se pelo fenómeno e recolheu várias amostras da água da chuva vermelha que, ao que tudo indicava, seria apenas um fenómeno vulgar relacionado com qualquer tipo de contaminação.

      Ao microscópio o físico observou que a água não tinha pó nem areia mas continha algo com muito mais impacto: estava repleta de células vermelhas, muito parecidas aos dos micróbios da Terra, mas sem presença de ADN (DNA em inglês).

      O referido investigador da universidade indiana sugeriu que as células poderiam ser extraterrestres. A ideia despertou sorrisos de cepticismo mas recebeu a aprovação para ser publicada na revista científica “Astrophysics and Space Science” em 2006.

      Agora, o investigador e a equipa alargada à Universidade de Cardiff, no Reino Unido, vieram a público dar notícia de algo ainda mais inquietante: as células que acredita m ter origem extraterrestre estão a reproduzir-se.

      Godfrey Louis considerou que as células descobertas na água da chuva não poderiam ser terrestres porque não encontrou provas de ADN. Os glóbulos vermelhos seriam ainda uma possibilidade mas deveriam ter sido destruídos em contacto com a água da chuva. Numa extraordinária explicação, o investigador sugeriu a possibilidade de um cometa ter-se desintegrado na atmosfera superior e salpicado as nuvens quando estas flutuavam sobre a Terra, o que explicava a chuva vermelha que surpreendeu a Índia em 2001.

      Os investigadores recolheram ainda informações na região acerca de um ruído semelhante ao de um objecto que superava a barreira do som, o qual poderia ter sido provocado pela tal rocha espacial a desintegrar-se.

      A equipa internacional de investigadores conta com a presença de Chandra Wickramasinghe, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, um dos principais defensores da teoria da panspermia, segundo a qual a vida na Terra, como noutros mundos, foi semeada através do impacto de um cometa ou asteróide sugerindo que somos todos extraterrestres.

      Segundo a “Technology Review”, publicada pelo MIT, estes investigadores asseguram que as células estão a reproduzir-se mas a temperaturas de 121 graus, não se reproduzindo à nossa temperatura ambiente, permanecendo inertes, fenómeno que é raro, já que as esporas de alguns extremófilos podem sobreviver a este tipo de temperaturas elevadas mas reproduzir-se a temperaturas menores. Contudo, nada do que é conhecido se comporta deste modo a estas temperaturas.

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Terça-feira, Agosto 31, 2010

Aproveitamento de Cargas Elétricas

      Encontra-se em estudo e fase de desenvolvimento um processo de recolha e aproveitamento das cargas elétricas que existem no ar húmido, como uma nova fonte de energia renovável de produção e disponibilização de eletricidade.

      O processo em desenvolvimento envolve a utilização de metais que recolhem as pequenas cargas elétricas do ar, tendo os testes demonstrado haver potencial no aproveitamento e utilização desta fonte de energia alternativa em climas húmidos.

      Verificou-se que as cargas ficam acumuladas nos metais, pelo que esta poderá ser mais uma fonte de energia natural renovável, até agora negligenciada.

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Quinta-feira, Julho 8, 2010

A Doença de Parkinson e a Voz

      Investigadores da Universidade de Haifa (Israel) desenvolvem um mecanismo informático capaz de analisar a voz e a articulação da fala, identificando mudanças nos músculos que antecedem os sintomas da doença de Parkinson.

      A doença de Parkinson é uma condição degenerativa marcada por rigidez muscular, tremores e perda de equilíbrio.

      Na investigação, publicada no “Journal of Speech, Language, and Hearing Research”, Shimon Sapir, o líder do estudo, explica que esta nova “técnica não invasiva, precisa e barata, que requer apenas a leitura de frases simples” apresentou bons resultados nos testes clínicos, que foram comparados com os realizados por um grupo de voluntários que não apresentavam a patologia.

      Atualmente, a confirmação da existência da doença é baseada nos sintomas, facto que conduz a um diagnóstico tardio, quando a maioria dos neurónios associados à coordenação motora já estão deteriorados.

      Os participantes no estudo gravaram um número de frases que foram analisadas por este novo programa informático, tendo o sistema sido capaz de fazer uma diferenciação clara entre os dois grupos de participantes.

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Quarta-feira, Julho 7, 2010

Biotecnologia

      Uma empresa portuguesa do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica acaba de desenvolver uma inovação científica na produção da primeira vacina conjugada contra a febre tifóide.

      António Duarte, presidente executivo da GenIBET, disse que esta inovação consiste num “processo de fabrico da vacina em larga escala, ou seja, passar de uma escala de 2 litros, no laboratório, para uma escala de 50 litros”.

      Criada em 2006, a GenIBET centra a sua actividade na produção de biofármacos (medicamentos produzidos por biotecnologia) para ensaios clínicos, permitindo que a investigação laboratorial possa ser testada em humanos no longo processo de ensaios que tem de atravessar um medicamento antes de ser comercializado.

      É a única “empresa de biotecnologia farmacêutica em Portugal, com produção de biofármacos que já foram testados em seres humanos com sucesso”.

      A febre tifóide é uma doença infecciosa potencialmente mortal que prevalece nos países e regiões com mau saneamento básico, nomeadamente na Ásia, África, América Central e do Sul. A associação da GenIBET ao desenvolvimento da primeira vacina conjugada contra esta doença que, se for bem sucedida em todos os ensaios clínicos, será única no mercado e passível de ser administrada a crianças.

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Segunda-feira, Julho 5, 2010

Cabo Verde

      Comemora-se hoje em Cabo Verde a independência de Portugal ocorrida há 35 anos, num dia como este 05 de Julho mas do ano de 1975, após a Revolução do 25 de Abril que pôs fim à ditadura portuguesa.

     Cabo Verde é um arquipélago de origem vulcânico constituído por 10 ilhas situadas no Oceano Atlântico em frente à costa ocidental africana.

      Este arquipélago foi descoberto em 1460, desabitado e sem vestígios de presença humana anterior.

      Foi colónia portuguesa durante 5 séculos.

      A população actual do arquipélago ronda o meio milhão de habitantes.

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Terça-feira, Junho 29, 2010

Sumo de Laranja e “Fast Food”

      Um estudo da Universidade de Buffalo (E.U.A.) demonstrou que o sumo de laranja é eficaz a neutralizar os efeitos negativos do consumo de “fast food”, isto é, de refeições ricas em gordura e hidratos de carbono.

      De acordo com a investigação publicada no “American Journal of Clinical Nutrition”, as grandes quantidades de antioxidantes presentes no sumo de laranja, principalmente o flavonoíde naringenina e o antioxidante hesperidina, ajudam a prevenir os danos causados pelos radicais livres inflamatórios produzidos devido às agressões provocadas pelo consumo excessivo de gorduras.

      No estudo, liderado por Husam Ghanim, formaram-se 3 grupos de dez pessoas para ingerirem ao pequeno-almoço uma refeição de “fast food” de 900 calorias, composta por 81 gramas de hidratos de carbono e 51 gramas de gordura.

      Os participantes tinham idades compreendidas entre os 20 e os 40 anos e estavam todos dentro do peso normal.

      Um dos grupos de voluntários bebeu 300 calorias de sumo de laranja à refeição, outro grupo ingeriu 300 calorias de bebida à base de glicose e um terceiro só bebeu água.

      Foram retiradas amostras de sangue a todos os voluntários, antes da refeição e a 3 e 5 horas após o pequeno-almoço.

      Verificou-se que quem consumiu 300 calorias do sumo de laranja apresentou menores níveis de radicais livres no sangue (47 por cento) do que aqueles que beberam água (62 por cento) ou uma bebida à base de glicose (63 por cento).

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Quarta-feira, Junho 23, 2010

Excrementos de Cachalote

      De acordo com um estudo australiano, os excrementos dos cachalotes (animais que podem atingir os 20 metros de comprimento) contribuem anualmente para a eliminação de 400 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2).

      Este estudo vem desmitificar a suspeita de que estes mamíferos aumentavam a quantidade de gás através da sua respiração.

      A autora do estudo, Trish Lavery, da Universidade de Flinders (Austrália), explicou que os cachalotes defecam ferro, o que estimula o crescimento do fitoplâncton e da sua capacidade para armazenar o CO2, o principal responsável pelo aquecimento global.

      Quando o fitoplâncton morre, o gás desloca-se para o fundo do mar, um processo que elimina milhares de toneladas de dióxido de carbono.

      O número de cachalotes perdido nos últimos anos equivale a que fiquem por eliminar perto de dois milhões de toneladas anuais de CO2, calcula a investigadora australiana.

      Esta investigação, publicada na “Proceedings of the Royal Society, Biological Sciences”, prova a complexa interação natural entre os ecossistemas marítimos e terrestres e demonstra a necessidade de proibir a caça de cetáceos.

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Segunda-feira, Maio 31, 2010

A Bactéria Relaxante da Aprendizagem

      Já se sabia que a exposição a determinadas bactérias presentes no meio ambiente provocam estados relaxantes e anti-depressivos mas um estudo recente, apresentado no Congresso da Sociedade Americana de Microbiologia, realizado em San Diego (Califórnia, EUA), apresentou uma dessas bactérias – a Mycobacterium vaccae, um microrganismo da terra que é ingerido e respirado de uma forma natural quando se está no campo em contacto com a natureza, como sendo também responsável por um estímulo da aprendizagem, tendo verificado um crescimento de determinados neurónios no cérebro, provocando um aumento dos níveis de serotonina a par da diminuição da ansiedade.

      A serotonina tem um papel importante na aprendizagem, logo, os cientistas começaram por equacionar a possibilidade da bactéria ser responsável por um estímulo da aprendizagem

      Em laboratório, os cientistas acrescentaram a bactéria à comida de um grupo de ratinhos durante um estudo sobre a sua capacidade de se moverem num labirinto. Em comparação com os que não ingeriram a bactéria, estes ratinhos percorriam o labirinto ao dobro da velocidade e com um nível de ansiedade muito inferior aos outros.

      Numa segunda experiência, retirou-se a bactéria da dieta dos animais e voltou-se a medir a capacidade de percorrer o labirinto. Apesar de se tornarem mais lentos, continuavam a ser mais rápidos que os outros. Três semanas depois, voltaram a ser analisados e ainda restava alguma vantagem, apesar de não muito significativa, sobre os outros. Isto sugere que o efeito das bactérias é temporal.

      Os cientistas acreditam que esta investigação indica que a Mycobacterium vaccae desempenha um papel importante nos níveis de ansiedade e no processo de aprendizagem dos mamíferos.

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Sexta-feira, Maio 21, 2010

O Nome Próprio de Deus

     Cientistas do Instituto J. Carig Venter anunciaram ontem a criação da primeira forma de vida artificial, após conseguirem sintetizar e replicar ADN (DNA em inglês) sintético, isto é, a criação de um organismo vivo com genoma totalmente sintético, desenvolvido artificialmente a partir de compostos químicos.

      O referido instituto detém o nome do seu fundador e investigador do genoma.

      Os cientistas criaram em laboratório bactérias de forma completamente artificial, fabricadas de raiz num pratinho de vidro a partir dos seus componentes genéticos elementares, como diz J. Craig Venter: “a partir de quatro frascos de compostos químicos”.

      J. Craig Venter anunciou oficialmente uma nova era, a era da biologia sintética.

      Em termos de futuro próximo Craig Venter indica poder vir a criar algas produtoras de petróleo, detendo já um importante contrato com a petrolífera “Exxon”, bem como fabricar vacinas contra a gripe sazonal, reduzindo em 99%; repito: reduzir em 99%, o tempo de fabrico das vacinas, detendo já para o efeito uma colaboração com o laboratório “Novartis”.

      A imagem abaixo reproduz a imagem das duas células sintéticas.

      Deus, afinal, tem nome e é J. Craig Venter, o criador de vida.

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Quinta-feira, Maio 20, 2010

Moscas Vivem Mais

      Investigadores atrasam envelhecimento de mosca da fruta com a introdução de gene que permitiu aumentar em 40% a longevidade da mosca.

      O código genético da mosca da fruta é fácil de manipular e os investigadores espanhóis e finlandeses, alterando-o, conseguiram atrasar o envelhecimento celular de uma mosca da fruta.

      O estudo foi efetuado pelo grupo de fisiopatologia Metabólica da Universidade de Lérida (Espanha) e foi publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

      Se a descoberta fosse aplicada ao homem, o tempo de vida seria de 150 anos, sem problemas de saúde.

      A mosca atrasou o envelhecimento devido ao fabrico de uma proteína pelo gene introduzido. Assim, a “fábrica” de energia das células, as mitocôndrias, ficaram mais eficientes durante mais tempo.

      Ao produzir menos radicais livres, que atacam as moléculas do ADN, os animais ficam mais resistentes ao stress oxidativo e vivem mais.

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Sábado, Maio 15, 2010

ADN Neandertal

      Estudo ora publicado na revista “Science” e liderado por Svante Päabo, do Instituto Max Plank (Alemanha), afirma que o Homo Sapiens Sapiens atual, da Europa e da Ásia, tem entre um e quatro por cento de ADN (DNA) Neandertal, ou seja, do hominídeo que desapareceu há 30 mil anos.

      Durante 4 anos os investigadores estudaram e sequenciaram o genoma do Neandertal. Analisaram diversos fragmentos extraídos de ossos desta espécie extinta, que tinham sido encontrados na Croácia, Rússia, Alemanha e Espanha. Depois, compararam os dados com humanos atuais da Europa, da Ásia e de África.

      Muitos investigadores tinham sérias dúvidas sobre o possível cruzamento entre os primeiros Sapiens e os Neandertais, apesar de terem já aparecido vários esqueletos que indicavam existir hibridação. Contudo, apenas agora foi possível provar com dados genéticos essa teoria.

      O homem de Neandertal apareceu no Próximo Oriente e na Europa há 400 mil anos, 200 mil anos antes do Sapiens Sapiens existir e se ter começado a espalhar pelo mundo a partir de África. Os primeiros cruzamentos terão acontecido no Médio Oriente, entre 80 mil e 50 mil anos atrás.

      O genoma neandertal foi comparado com o de humanos actuais da África Meridional e Ocidental, de França, da China e da Papua Nova Guiné. O estudo revelou que o Neandertal partilha 99,7 por cento dos genes do sapiens sapiens mas apenas dos seres humanos que habitam fora de África, o que reforça a ideia de que o cruzamento terá mesmo acontecido.

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Sexta-feira, Maio 14, 2010

Coração Artificial Biológico

      Uma nova técnica desenvolvida em Espanha aponta a possibilidade de criação de um coração artificial biológico através da “lavagem” das células do doador e do “semear” de células mães do receptor transplantado.

      O órgão usado será um coração descartado para transplante. Primeiro, trata-se o órgão com um detergente enzimático para eliminar as células do doador, eliminando-se a carne e deixando a matriz limpa. Num segundo momento a estrutura é semeada com células-mãe para que o coração se regenere.

      O projecto designa-se “SABIO” (Scaffolds and Bioartificial Organs for Transplantation) e nele participam o Hospital Gregório Marañón (Espanha), a Universidade de Minnesota (EUA) e a Organização Nacional de Transplantes.

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Quarta-feira, Maio 12, 2010

A Ressaca é uma Molécula

      Um grupo de neurocientistas da Universidade de Southampton (Reino Unido) acaba de descobrir a molécula responsável pela ressaca, designadamente, dores de cabeça, náuseas, sede e sensibilidade ao barulho e à luz, alguns dos sintomas depois de uma noite bem bebida.

      Num artigo, publicado na “PLoS One”, os investigadores explicam que se trata de um neuropéptido; um “marcador” do cérebro que ao ativar-se é o responsável pela mescla de sensações e sintomas desagradáveis sofridos no dia seguinte à ingestão de uma quantidade significativa de álcool.

      Os investigadores britânicos usaram o cérebro de um verme para o comparar ao nosso. Tudo porque a estrutura mais simples do “Caenorhabditis elegans” (o verme), tem a particularidade de reagir de uma forma idêntica à do ser humano às intoxicações ou dependências do álcool.

      A equipa, liderada por Lindy Holden-Dye, descobriu que, tal como o verme, o cérebro do ser humano quando exposto ao álcool durante um período prolongado de tempo, habitua-se a um certo grau de intoxicação e quando o consumo de álcool é interrompido, começa a ansiedade, a debilidade, a agitação e até espasmos, um rodopio de sintomas que são característicos das ressacas na sua forma mais grave.

      Holden-Dye explica que “a investigação mostra que os vermes sentem os efeitos do corte de álcool e isto permite-nos definir a forma em que este afeta os circuitos nervosos responsáveis pela alteração de comportamento”. Durante a fase de interrupção, os cientistas davam aos vermes pequenas quantidades de álcool e os seus sintomas suavizam de imediato.

      Os autores do estudo foram capazes, pela primeira vez, de identificar exatamente de onde e como o consumo de bebidas alcoólicas afeta o sistema nervoso, o que “abre novas portas para o tratamento do alcoolismo”, refere Holden-Dye que acrescenta: “O nosso estudo proporciona um sistema experimental efetivo para atacar este problema”.

      A investigação abre também a possibilidade para o fabrico de novas armas químicas que minimizem ou eliminem por completo os efeitos posteriores ao consumo abundante de bebidas alcoólicas. Contudo, o mesmo estudo garante que, esta última hipótese é algo que pode inclusive aumentar a dependência de 13 por cento da população adulta que sofre deste problema.

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Terça-feira, Maio 11, 2010

Cafeína como Tratamento

      A cafeína pode vir a tratar as doenças do humor, nomeadamente depressões, um dos mais graves problemas de saúde das sociedades atuais, que afecta uma em cada quatro pessoas.

      Um grupo de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) de Coimbra (Portugal) afirma ter aberto uma nova linha de investigação centrada nas doenças do humor, na sequência dos seus estudos com café para tratamento de doenças do cérebro.

      Uma área na qual surgiram resultados muito consistentes foi a memória, designadamente na doença de Alzheimer, em que estudos epidemiológicos e em modelos animais evidenciaram que a ingestão de doses moderadas e continuadas de café diminuíam a sua incidência.

      Mais recentemente, a equipa coordenada por Rodrigo Cunha, da Faculdade de Medicina de Coimbra, estendeu esse conceito “para uma área que em larga medida está desprovida de terapêutica eficaz, que são situações de modificação de humor, nomeadamente a depressão”.

      “Fizemos estudos em animais para estabelecer um modelo de depressão por imposição de situações de stress crónico e foi com surpresa que observámos que os animais que consomem cafeína parecem tolerar de modo muito mais eficaz estas modificações de humor”, revelou Rodrigo Cunha.

      Os investigadores julgam ter descoberto o alvo molecular onde actua a cafeína – o receptor A2A para a adenosina – e neste estudo para as doenças do humor constataram “que existe uma correlação com o que se passa no homem”.

      “Alguns estudos iniciais mostraram que populações de risco, como as enfermeiras dos serviços de urgência, toleram muito melhor ao longo do tempo situações de stress repetido quando consomem café de forma regular em doses toleráveis e normais do que profissionais com funções semelhantes, mas que não tomam café regularmente”.

      Segundo Rodrigo Cunha, além dos testes psicológicos, é possível verificar estes resultados em “testes biológicos com os níveis de cortisol, que confirmam esta impressão, de que há um benefício em termos de controlo de humor associado à toma regular de doses moderadas de cafeína”.

      Se para um consumidor ocasional o café atua como um excitante, para quem o ingere de forma contínua e moderada, “depois do pico inicial de excitante, acaba por atuar como um normalizador de funcionamento do sistema nervoso central em particular”, explicou Rodrigo Cunha.

      A investigação focada nas doenças do humor começou há um ano e meio e neste momento a equipa tem concluído um estudo do primeiro modelo animal que submeteu para publicação, para ser dado a conhecer à comunidade científica.

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Sexta-feira, Maio 7, 2010

Dormir

      Estudo da Universidade de Warwick e da Universidade de Medicina Federico, em Itália, conclui que dormir pouco pode levar à morte prematura.

      Os cientistas afirmam ainda que um sono saudável não deve ter menos que 6 horas nem mais de 9 horas.

      Quem dorme regularmente menos de 6 horas por noite tem mais 12% de hipótese de morrer mais cedo do que as pessoas que dormem o período ideal, de 6 a 8 horas.

      O estudo analisou os padrões de sono e mortalidade de 1,3 milhões de pessoas e concluiu que a morte prematura pode ter ligações com pouco tempo de sono, mas também por sono excessivo, quando fora da tal faixa considerada ideal das 6 a 8 horas.

      O professor Francesco Cappuccio, chefe do Programa de Sono, Saúde e Sociedade, afirmou que “5 horas é insuficiente para a maioria das pessoas e ficar sonolento durante o dia aumenta o risco de um acidente de trabalho ou no trânsito. Na sociedade moderna, o stress acaba por afectar-nos até de noite, perturbando o sono, o que pode levar a outros problemas daí decorrentes, como a depressão.”

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Sexta-feira, Abril 2, 2010

Sapos Prevêem Sismos

      Investigadores britânicos afirmam que os sapos podem ajudar a prever sismos. Os cientistas dizem que o comportamento dos animais se altera até cinco dias antes da ocorrência, ao contrário do que já se sabia da generalidade dos animais que pressentiam o abalo com uma antecedência de segundos ou minutos.

      Os biólogos britânicos estudavam uma população de sapos que fugiu da sua colónia três dias antes do sismo que abalou a cidade italiana de Aquila a 6 de Abril 2009, encontrando-se o local que abandonaram a 74 quilómetros do epicentro do sismo.

      O estudo vem publicado no Journal of Zoology, onde se relata que a bióloga Rachel Grant, da britânica Open University, esteve a estudar diariamente o comportamento de várias colónias de sapos em Itália pela altura do sismo, tendo a investigação compreendido um período de 29 dias antes, durante e depois do sismo.

      Rachel estava a estudar os sapos em San Ruffino, a 74 quilómetros do epicentro, quando começou a notar comportamentos estranhos nos animais e 5 dias antes do abalo reparou que a população de sapos tinha diminuído.

      “Este estudo é o primeiro a documentar o comportamento animal antes, durante e após um terramoto”, afirma a bióloga que acredita que os sapos fugiram para terrenos mais elevados, possivelmente para locais com menos probabilidade de caírem pedras ou de haver inundações.

      Desconhece-se como é que os sapos pressentiram a actividade sísmica, no entanto, é certo que algo pressentiram que os fez abandonar o local.

      “A nossa investigação sugere que os sapos são capazes de detectar sinais pré-sísmicos como a libertação de gases”, explicou a investigadora.

saponacruz

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Terça-feira, Março 30, 2010

O Congelamento da Água Quente

      Sabias que a água quente congela mais rapidamente do que a água fria?

      Sabias que este fenómeno intrigou cientistas de várias gerações?

      O congelamento rápido da água quente é conhecido como efeito Mpemba e os físicos têm apostado em várias teorias como a evaporação mais rápida que reduz o volume da água quente ou que uma camada de gelo isola a água fria.

      Já Aristóteles, no século IV a.C., afirmava, na sua obra Meteorológica I, que a água previamente aquecida contribui para um congelamento mais rápido e em 1461 o físico Giovanni Marliani confirma igualmente esta situação. Também Descartes e Francis Bacon demonstram o que já parecia ser de senso comum.

      Contudo a resposta tem sido muito difícil de encontrar, porque o efeito não é constante: a água fria também pode congelar rapidamente.

      James Brownridge, responsável pela segurança radioactiva do Departamento de Física da Universidade de Nova Iorque, acredita que esta aleatoriedade é crucial. Ao longo dos últimos dez anos, realizou centenas de experiências sobre o efeito de Mpemba e tem provas de que o efeito é baseado no fenómeno do sobre arrefecimento (supercooling).

      A estranheza do fenómeno parte do raciocínio intuitivo de que a agua mais quente teria de percorrer uma distância termométrica maior que a água fria (ambas à mesma velocidade) até atingir o ponto de congelação a zero graus Célsius.

      “A água dificilmente congela a zero graus”, afirma Brownridge que acrescenta: “É geralmente sobre arrefecida e só começa a congelar a uma temperatura inferior”.

      O ponto de congelamento raramente acontece aos 0º C. O ponto de congelamento depende das impurezas da água de que depende a formação de cristais de gelo. Normalmente, a água pode conter vários tipos de impurezas, desde partículas de poeira a sais e bactérias, cada uma das quais desencadeia a congelação a uma temperatura característica.

      As impurezas com maior temperatura nuclear determinam a temperatura a que a água vai congelar.

      James Brownridge, que fez grande parte das experiências como passatempo, começou com duas amostras de água à mesma temperatura (água morna a 20 graus) que colocou em tubos de ensaio e arrefeceu-os no congelador. Um presumivelmente congelará primeiro, devido à aleatória concentração de impurezas.

      Se a diferença for suficientemente grande, o efeito Mpemba irá aparecer. Brownridge seleccionou a amostra com maior temperatura de congelamento natural para aquecer a 80 graus célsius e deixou a outra à temperatura ambiente e posteriormente colocou os tubos de ensaio novamente no congelador.

      “A água quente vai congelar sempre mais rapidamente do que a água fria se o seu ponto de congelamento for pelo menos acima dos cinco graus célsius”, afirmou o investigador.

      Pode parecer surpreendente que os cinco graus façam tanta diferença, quando a amostra mais quente começa 60 graus atrás na corrida. Contudo, quanto maior for a diferença de temperatura entre um objecto e o meio em que está inserido − neste caso o congelador − mais rápido é o arrefecimento.

      Deste modo, a amostra quente vai arrefecer muito mais rápido, atingindo o seu ponto de congelamento aos dois graus negativos, por exemplo, muito antes da água fria que congela a partir dos sete negativos.

      O Efeito Mpemba, é um peculiar fenómeno com uma longa história, mas foi na década de 60 que o efeito foi reconhecido pela ciência moderna, quando um estudante da Tanzânia chamado Erasto Mpemba, com 13 anos, disse ao seu professor de ciências que conseguia fazer gelados mais rápido do que o normal quando colocava a mistura ainda quente no congelador.

      Inicialmente, houve muita relutância em aceitar o facto, mas o fenómeno foi confirmado e publicado.

      Esta teoria pode explicar, por exemplo, o facto de nos países frios os canos de água quente congelarem antes dos de água fria.

      Porque é que mais ninguém reparou nisto antes? Brownridge afirma que as outras pessoas não controlaram as condições da experiencia para estudarem um factor de cada vez. É necessário controlar, por exemplo o tipo de recipiente ou a localização das amostras no congelador.

      Mas desengane-se quem pensar que este trabalho encerra o debate de Mpemba. Jonathan Katz, da Universidade de Washington tem outra teoria: o aquecimento aumenta o ponto de congelamento da água por retirar os solutos como o dióxido de carbono. Isto significa que o aquecimento da água realmente aumenta as probabilidades de congelar primeiro, ao contrário dos resultados aleatórios sugeridos por Brownridge. “Talvez ele tenha encontrado um efeito de arrefecimento semelhante a Mpemba”, conclui Katz.

cubogelochamas

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Sexta-feira, Março 19, 2010

Bananas

      Segundo um estudo publicado no Journal of Biological Chemistry e realizado por investigadores da Universidade de Michigan (EUA), a lectina da banana pode contribuir para o desenvolvimento de microbicidas capazes de prevenir a infecção das células imunes pelo VIH, constatando que aquela proteína da banana pode ser tão potente como os fármacos utilizados actualmente.

      Já se sabia que esta família de substâncias tinha a propriedade de se unir aos açúcares dos agentes infecciosos, facilitando a sua detecção e destruição pelas células do sistema imunitário.

      O processo é simples: no caso do VIH, a BanLec bloqueia a acção do vírus antes que ele se fixe às células sanguíneas.

      Os cientistas de Michigan provaram-no com o VIH, e compararam os efeitos com os dos antivirais já existentes, obtendo resultados muito positivos.

bananas

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Quarta-feira, Março 10, 2010

Cataratas de Sangue

     Existem na Antárctica umas cataratas de gelo conhecidas como sendo as Cataratas de Sangue (Blood Falls), por emanar água salgada tingida de vermelho que parece sangue.

      Nestas cataratas, a Universidade de Harvard e a Nasa (EUA), levaram a cabo um estudo, ora publicado na revista “Science”, onde referem que nesse local existirão microrganismos cuja vida terá começado fora do nosso planeta e que estão bastante adaptados a ambientes inóspitos e com pouco oxigénio.

      Os investigadores determinaram que compostos férricos podem contribuir para colorir a água de vermelho, embora não se consiga determinar a sua procedência.

      Os investigadores indicaram ainda ter encontrado microrganismos vários, designadamente, uma estranha bactéria num poço de água extremamente salgada. O microrganismo esteve no meio do gelo durante mais de 1,5 milhões de anos, sem acesso à luz ou ao oxigénio.

      Durante milhares de anos, os microrganismos estiveram encarcerados sem nutrientes ou qualquer contacto com o mundo exterior.

      Os investigadores chegaram à conclusão que os microrganismos conseguiram sobreviver por a água ser rica em ião sulfato (SO42-), constituindo uma fonte de energia para muitas bactérias.

      Pelo menos 17 tipos de micróbios diferentes foram encontrados, vivendo sem oxigénio nem luz solar; o que contraria o resto dos seres vivos existentes no nosso planeta.

      Alguns cientistas mais ousados, que especulam sobre a origem da colónia de bactérias, alegam que esta pode ter vindo de um meteorito, como o ALH 84001 (Allan Hills 84001), o que remete para a possibilidade de existir vida fora do nosso planeta. Contudo, ainda não existe nenhuma prova concreta sobre a sua proveniência, mas a descoberta obriga a comunidade científica a redefinir quais são as condições necessárias para que a vida floresça e se desenvolva.

      Refira-se que há outros lugares no nosso Sistema Solar que albergam condições semelhantes às das Cataratas de Sangue, como Marte ou uma das luas de Júpiter.


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Segunda-feira, Março 8, 2010

Um Exabyte

      Um Exabyte é um milhão de Gigabytes e é esta a capacidade de armazenamento num novo material descoberto por um grupo de investigadores da Universidade de Florida (EUA), ultrapassando entre mil a um milhão de vezes mais dados que as actuais memórias actualmente disponíveis (USB, discos externos, etc.)

      Este novo material permitirá que em breve falemos em Exabytes em vez de Gigas.

      O trabalho está a ser realizado em cristais exóticos capazes de armazenar quantidades incalculáveis de dados. O cristal em questão tem a designação de ammonium dihydrogen phosphate ou ADP.

      Os investigadores referem que estes cristais funcionam de uma determinada maneira no âmbito químico mas tendo uma certa estrutura nanométrica que lhes permite guardar dados.

      Geralmente, os chips são fabricados de forma a dispor camadas de material que se possam interpretar como valores armazenados, mas estes cristais fazem-no de forma natural graças às suas estranhas estruturas atómicas.

      Naresh S. Dalal, investigador bioquímico, explicou que “são materiais multiferroicos [capazes de mesclar electricidade e magnetismo], ou seja, ferromagnéticos e ferroeléctricos, dependendo da temperatura a que são submetidos”.

      Esclareceu ainda que “Há pelo menos 70 anos que este cristal mistério tem deixado os cientistas perplexos”.

      Actualmente um vulgar cartão de memória SD armazena 1 a 2 Gigabyte, com este novo cristal um dispositivo do mesmo tamanho pode albergar até um Exabyte.

      Há, no entanto, um aspecto que não permite ainda a disponibilização de dispositivos com estes cristais, é o facto destes cristais disporem desta capacidade de armazenamento mas à temperatura de 150 graus negativos. Os investigadores averiguam a possibilidade de alteração para a temperatura ambiente ou a existência de outros cristais semelhantes sem este inconveniente.

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Quinta-feira, Março 4, 2010

Novo Adesivo

      Um novo mecanismo adesivo foi desenvolvido por uma equipa de investigadores da Universidade de Cornell (EUA) que funciona com a tensão superficial da água e poderá permitir que pessoas subam, literalmente, pelas paredes.

      A experiência está relatada de forma detalhada na última edição da “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

      Os investigadores a cargo do estudo inspiraram-se num besouro da Flórida. O insecto consegue segurar-se em folhas com 100 vezes mais força que o seu próprio peso, mas ao mesmo tempo solta-se com muita facilidade.

      Os investigadores pretendem desenvolver luvas e sapatos que adiram em paredes ou novos Post-its que suportem mais carga, como por exemplo, um par de chaves.

      O novo dispositivo é composto por uma placa repleta de pequenos buracos, sobre um reservatório de água, fechado por uma outra placa porosa. Quando um campo elétrico (gerado por uma pilha de nove volts) é aplicada no dispositivo, a água penetra através da placa e a tensão da superfície das gotículas criam uma espécie de força, tal como quando dois vidros de colam quando estão molhados.

      Para interromper a aderência basta inverter o campo elétrico e a água é restabelecida no reservatório. 

      A estimativa é a de que um aparelho adesivo destes possa suportar, por cada centímetro quadrado, mais de 1 Kg, isto é, um aparelho adesivo deste tipo do tamanho de um vulgar post-it dos pequenos (5 x 3,5 cm) que usamos habitualmente poderá suportar quase 20 Kg.

post-it

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Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010

Vacinas de Açúcar do Futuro


As vacinas do futuro poderão ser parecidas com rebuçados.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford (Reino Unido) desenvolveu um método de conservação de vacinas que dispensa a refrigeração.

A refrigeração é um grande problema nos países africanos e asiáticos, pois existindo refrigeração, o custo da vacina é aumentado e, não havendo refrigeração, não há vacinas.

A novidade do método consiste na utilização da sacarose do açúcar normal, usado, por exemplo, para adoçar o café.

A equipa misturou a sacarose com dois tipos de vírus usados em vacinas e, após evaporação da água, obtiveram um cristal sólido de açúcar que contém o vírus imobilizado.

O cristal pode ser empacotado e enviado para qualquer parte do mundo e uma vez chegado ao destino é só juntar água para obter a solução e mesmo que passem seis meses e que a temperatura suba até aos 45º Centígrados, a vacina continuará eficaz e se o termómetro apenas subir aos 37º, poderá aguentar um ano.

Os investigadores afirmaram ainda que o sistema poderá funcionar com actuais vacinas para o sarampo e a febre-amarela. Contudo, o objectivo é criar uma nova geração de fármacos contra a malária, sida e tuberculose. Muitos destes tratamentos incluirão adenovírus e o chamado “poxvírus” para a inoculação.

A equipa recebeu uma verba de cerca de 7 milhões de euros da Fundação Bill Gates para desenvolver o estudo que se prevê estar pronto em cinco anos.

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Terça-feira, Fevereiro 9, 2010

Organismos Síntéticos Imortais

O Pentágono (EUA) financia um projecto de desenvolvimento de organismos sintéticos imortais.

O projecto quer «eliminar a aleatoriedade do avanço evolutivo natural».

A agência do Pentágono DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) vai investir seis milhões de dólares para a pesquisa na criação de organismos sintéticos com capacidade de viverem para sempre.

O ADN desses organismos será manipulado para os fazer imortais ou morrerem quando lhes for indicado.

Este projecto para criar vida artificial será desenvolvido a partir deste ano e poderá ter propósitos militares.

O projecto, intitulado «BioDesign», foi apresentado no programa de financiamento para 2011 desta agência e já está a provocar polémica. Em alguns meios de comunicação já se fala da criação de “replicantes”, como no famoso filme de Ridley Scott, «Blade Runner», baseado livro de ficção científica escrito em 1968 por Philip K. Dick.

O que se pretende, pode ler-se no resumo do projecto, é “eliminar a aleatoriedade do avanço evolutivo natural, principalmente através da engenharia genética e das tecnologias de biologia molecular, para se conseguir produzir um determinado efeito”.

No documento diz-se ainda que o objectivo é “desenvolver uma sólida compreensão dos mecanismos colectivos que contribuem para a morte da célula de modo a permitir a criação de uma nova geração de células regenerativas que podem ser programadas para viver indefinidamente”.
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Segunda-feira, Fevereiro 8, 2010

Secadores de Mãos

Um estudo realizado pela Universidade de Westminster (Reino Unido), em parceria com a Tork, líder mundial na área de produtos de higiene, comprovou que os secadores de ar quente, utilizados para secar as mãos em casas de banho públicas, podem aumentar o número de bactérias nas mãos após a lavagem e contaminar também os locais onde estão inseridos.

Os investigadores recomendam a utilização de toalhas de papel na secagem das mãos a fim de se reduzir o número de bactérias e promover uma higiene mais segura.

Nos testes realizados, foi verificado que depois de se secar as mãos com um secador de ar quente, o número total de bactérias encontradas aumentava, em média, 194 por cento na cabeça dos dedos e 254 por cento na palma das mãos. Já quando as mãos eram secas com toalhas de papel, o número de bactérias diminuía 76 por cento na cabeça dos dedos e 77 por cento na palma das mãos.

Outro aspecto observado foi o facto de os secadores de jacto de ar espalharem o ar a uma velocidade de 643 quilómetros por hora, fazendo com que os microorganismos presentes nas mãos possam dispersar-se pelo espaço público e contaminar outros utilizadores presentes no local até dois metros de distância.

Já com a utilização do secador de ar quente comum, os microrganismos podem alcançar até 0,25 metros de distância, mas com as toalhas de papel não há esse risco.

“Os resultados deste estudo sugerem que se deve repensar a utilização de secadores de ar quente em locais onde a higiene é prioritária, tais como hospitais, clínicas, escolas, lares de terceira idade, cozinhas e outras áreas de preparação de alimentos”, afirmou Keith Redway, do departamento de Ciências Biomédicas da Universidade de Westminster.

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Terça-feira, Fevereiro 2, 2010

Temnothorax Unifasciatus

Uma equipa de investigadores da Universidade de Regensburg (Alemanha) descobriu que as formigas abandonam a sua comunidade quando se encontram doentes, morrendo isoladas do grupo.

Esta atitude, segundo o estudo publicado na revista «Current Biology», tem como objectivo não afectar as suas congéneres e assim preservar a comunidade.

Nas sociedades animais é vulgar a propagação de infecções, devido a esse factor existem também mecanismos para reduzir a probabilidade da transmissão de doenças.

Na Natureza, explicam os investigadores, os animais raramente morrem de velhice e abandonar o grupo é uma forma de minimizar os riscos de infecção.

Na cultura popular existem relatos de indivíduos moribundos de várias espécies que abandonam os seus grupos para morrerem sozinhos, mesmo em algumas comunidades humanas. No entanto, dizem os cientistas, essas ideias derivam mais de mitos do que de análises científicas. Neste estudo, é observado pela primeira vez esse comportamento.

Para confirmar que o isolamento para a morte tem em vista os benefícios para a comunidade, os cientistas tiveram de refutar outra explicação, que defende que este comportamento se deve à influência que o agente patogénico tem no hospedeiro.

Os biólogos Jürgen Heinze e Bartosz Walter observaram em laboratório formigas da espécie Temnothorax unifasciatus. Os formigueiros foram colocados em caixas de plástico para facilitar a observação. Tanto as formigas infectadas com fungos, como as expostas à infecção e outras formigas moribundas, isolavam-se das suas companheiras horas antes de morrerem.

Os investigadores acreditam que outros animais com o mesmo tipo de estrutura social, como as abelhas, podem ter o mesmo tipo de atitude. Pensam também que comportamentos similares podem ser encontrados em alguns mamíferos, como os elefantes ou os leões. No entanto, não há ainda estudos suficientes que confirmem esta teoria.

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Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Criar Neurónios


Um estudo, publicado ontem na revista «Nature», abre novas portas para que um dia seja possível retirar uma amostra da pele de um paciente para transformar células em tecido, para transplantes referentes a tratamento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, ou para a cura de lesões de coluna e muitas mais.

Irv Weissman, director do Instituto de Células Estaminais e Medicina Regenerativa, da Universidade de Stanford – onde a investigação foi desenvolvida –, descobriu o primeiro tecido de células estaminais e ajudou a desenvolver novos tratamentos, usa-as para formar sangue puro e células estaminais de músculos do coração, que poderão ser usadas para tratar doenças cardíacas e do sistema sanguíneo.

O investigador conseguiu, a partir de células comuns da pele de ratos, transformá-las em neurónios e, segundo o cientista, são “totalmente funcionais” e “podem fazer todas as coisas principais que os neurónios fazem no cérebro”.

O artigo refere que para a experiência apenas foram usados três genes, para transformar as células cutâneas directamente em neurónios a que deram o nome de “células neuronais induzidas”.

Trabalhos anteriores de Weissman, em ratos, puderam ser repetidos em humanos numa questão de meses. Entretanto, a sua equipa já está a tentar fazer o mesmo com células humanas.

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Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

A Exumação de Da Vinci

Os italianos pretendem proceder à exumação do cadáver de Da Vinci, com o propósito de provar que a obra Mona Lisa é um auto-retrato do próprio artista.

A teoria tem vindo a ganhar força e agora alguns investigadores italianos querem mesmo exumar o corpo de Leonardo Da Vinci para reconstruir o seu rosto e confrontar a possibilidade de o famoso quadro Mona Lisa ser o seu auto-retrato.

A hipótese começou a surgir quando se fez uma sobreposição de um retrato oficial do pintor com o quadro que se encontra actualmente no Louvre.

A identidade de La Gioconda (Mona Lisa) sempre foi um mistério e as teorias mais comuns são as de que seria a mãe do artista ou a mulher de um mercador de Florença.

Os cientistas do Comité Nacional para a Valorização dos Bens Históricos, Culturais e Ambientais da Itália pretendem agora exumar as ossadas e, a partir da face, reconstruir a cabeça para depois estabelecer a comparação.

Leonardo Da Vinci foi um polímata italiano e uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento. Destacou-se como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquitecto, botânico, poeta e músico e ainda como o precursor da aviação e da balística.

Concebeu ideias muito à frente do seu tempo, como um helicóptero, um tanque de guerra, o uso da energia solar, uma calculadora, o casco duplo nas embarcações e muitas outras. Da Vinci foi considerado o maior génio da história, devido à sua multiplicidade de talentos e pelas suas obras polémicas.

Num estudo realizado, em 1926, estimou-se que tinha um QI de 180.

Da Vinci morreu em 1519, aos 67 anos, e acredita-se que foi enterrado no castelo de Amboise, no vale do Loire, em França. O local foi alvo de vários saques ao longo dos séculos, mas não há certeza de que a sepultura seja mesmo a dele e, por isso, os herdeiros do castelo nunca incluíram a informação nos panfletos turísticos.

Portanto, a primeira etapa será encontrar os restos mortais e provar que lhe pertencem para depois extrair o ADN que será comparado com o de alguém que tenha tido algum grau de parentesco com ele. Entretanto, os investigadores já encontraram um pintor que se verificou ser descendente do lado paterno de Leonardo da Vinci, enterrado em Bolonha, nos finais do século XV.

A reconstrução do crânio também poderá dar algum trabalho aos cientistas já que poderá estar fragmentado. A equipa usará sistemas virtuais e métodos de morfologia para recompor as partes que faltam. A partir daí, a face será restaurada em computador e depois modelada em plástico.
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Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

Manga


Investigadores do “Texas Agrilife Research” concluíram que a manga, apesar do seu baixo teor antioxidante, pode ter um impacto positivo na luta contra alguns tipos de cancro.

Foram realizados testes “in vitro” para analisar extractos de polifenóis (substancias ligadas a diversos benefícios para a saúde) de cinco das variedades mais comuns desta fruta, sendo que os cientistas descobriram que estes componentes tinham algum impacto sobre as células do cancro da próstata, pulmão e da leucemia. Contudo, o efeito mais notável foi observado em células do cancro da mama e do intestino.

“O que descobrimos é que nem todas as linhas de células são sensíveis na mesma medida a um agente anti-cancerígeno, mas as linhas do cancro da mama e do cólon tiveram apoptose, ou morte celular programada”, explicou a investigadora Susanne Talcott, da instituição responsável por esta descoberta, acrescentando que os polifenóis da manga não prejudicavam as células saudáveis.

Neste estudo foi ainda verificado que o ciclo celular foi interrompido pela acção do extracto de manga, o que de acordo com Susanne Talcott, poderá ser fundamental para a criação de um processo que permita prevenir ou interromper a reprodução de células cancerígenas.

Os investigadores ambicionam agora poder realizar um ensaio clínico com pessoas com inflamações nos intestinos, propensos assim a um maior risco de cancro. “Se houver alguma eficácia comprovada, então faremos um estudo mais abrangente para verificar se esta experiência tem relevância clínica”, afirmou a investigadora.

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Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

Sono

Tentar aproveitar o fim-de-semana para dormir um pouco mais, para compensar o descanso perdido durante dias anteriores, não repara os efeitos da perda crónica de sono, segundo avança um recente estudo publicado no Journal Science Translational Medicine.

A privação de horas de descanso necessárias a longo termo reduz a capacidade de concentração e não pode ser reparada mesmo que se durma dez horas no dia seguinte.

A investigação levada a cabo por Daniel Cohen e a sua equipa, do Boston’s Brigham and Women’s Hospital, mostrou que pessoas com falta de sono podem funcionar normalmente logo depois de acordarem, mas começam por apresentar perda de reacções ao longo de dia.

Demasiadas noites sem sono ou a dormir muito pouco desenvolvem efeitos cumulativos de falta de performance nas pessoas e à medida que estas continuam a persistir em ficar acordadas até tarde, a deterioração vai aumentando até dez vezes mais, defende o cientista.

A equipa de investigação recrutou nove voluntários saudáveis, de ambos os sexos, para realizar uma experiência onde se permitiram de ‘jogar’ com os horários e o sono dos participantes para determinar até que ponto é que as suas reacções seriam afectadas, assim como a memória. Numa segunda fase, os investigadores tentaram perceber de que forma é que restaurar o descanso poderia melhorar ou não a capacidade de funcionamento destas pessoas.

A experiência durou 38 dias e os voluntários experimentaram diferentes ciclos de sono – uns ficaram acordados 33 horas e dormiram dez horas seguidas em dias intermédios. A equipa de Daniel Cohen chegou à conclusão que as oscilações horárias levaram a quebras no relógio interno dos pacientes, assim como à variação de ritmos cardíacos e ao longo do dia iam perdendo capacidades cognitivas e motoras.

Entretanto, estes foram comparados com outro grupo que manteve um horário regular de descanso e aqueles que foram obrigados a prolongar a falta crónica de sono foram deteriorando as suas capacidades quanto mais ficavam acordados, especialmente notórios a partir da segunda semana.

Daniel Cohen, também neurologista na Harvard Medical School, explica no estudo publicado que ainda não está definido quanto tempo ou horas de sono são necessárias para recuperar a privação de descanso a longo termo, mas afirma que três dias não são suficientes.

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